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Por que a área da Baía de São Francisco é o epicentro do mundo das startups?

Publicado 16 Dezembro 2014
Última atualização em 16 Dezembro 2014

Esta é a primeira publicação da nossa nova série Founders’ Story, escrita pelos co-fundadores da Zendesk, Mikkel Svane, Morten Primdahl e Alexander Aghassipour. Saiba mais sobre a história de fundação da Zendesk no novo livro Startupland: How Three Guys Risked Everything to Turn an Idea Into a Global Business.

Onde será o próximo berço das startups? Este é um debate contínuo na internet. Novas cidades são constantemente mencionadas: San Diego! Denver! Dallas! Portland! Seattle! Vários lugares, de Oklahoma a Omaha, de Miami a Memphis, são considerados ótimos, além de diversas cidades, de Bangalore a Boulder ou de Toronto a Tel Aviv, que estão sendo classificadas como melhores que o Vale do Silício e São Francisco.

E, ainda que essa abordagem contestadora e esse sentimento anti-Vale do Silício certamente rendam muitas manchetes, para muitos, o voto dos mais experientes sempre prevalece. A área da Baía de São Francisco permanece imbatível devido a uma confluência de diversos pontos: história, talento, sistema universitário, comunidade de investidores e clima. (Nunca subestime o encanto do clima único da Bay Area.)

E eu concordo plenamente com isso. No entanto, o que normalmente passa despercebido, o que não pode ser encontrado em nenhum outro lugar do mundo e que torna a área da baía realmente única, é sua mentalidade inigualável. É isso que torna essa área a capital imbatível de startups do mundo.

Há sete anos, eu fundei a Zendesk com dois amigos em um apartamento no quinto andar de um prédio sem elevador, em Copenhague, onde nos sentávamos ao redor de uma mesa feita de uma porta, onde não havia cadeiras confortáveis suficientes. Nós três estávamos na casa dos trinta e muitos anos e temíamos não termos tempo suficiente para fazermos o que realmente queríamos. Sentíamos que precisávamos mudar antes que fosse tarde demais.

Não posso afirmar que tínhamos o objetivo de fundar uma empresa, porque na época não tínhamos essa intenção. Nossa ambição não era contratar muitos funcionários, construir um escritório grande ou nos tornarmos uma empresa de capital aberto. Nós estávamos apenas tirando uma ideia do papel. Viemos do mundo caótico do suporte ao cliente, conhecíamos seus vários defeitos e achávamos que podíamos fazer softwares melhores, visualmente mais atrativos e fáceis de usar.

Talvez não tivéssemos "grandes ambições" porque nunca nos ensinaram a fazer isso. Não viemos de um mundo que valorizava as Grandes Metas Difíceis e Audaciosas. Aprendemos a nos contentarmos com o que tínhamos. E, como dinamarqueses, tínhamos muito com o que ficarmos satisfeitos. Há muitas razões pelas quais a Dinamarca é o país com as pessoas mais felizes do mundo. Há escolas e hospitais gratuitos, baixo nível de desemprego e um verdadeiro sentimento de segurança. Todos vivem a menos de 15 minutos a pé de um parque, aproveitam o ar livre e, com tão pouca valorização do status de trabalho, há pouca pressão para trabalhar muito. Há pouca necessidade de ganhar muito dinheiro, pois tudo é oferecido aos habitantes.

No entanto, esse estilo de vida não é apenas resultado do sistema socioeconômico. Os escandinavos cresceram com a "Lei de Jante", uma mentalidade que motiva as pessoas a serem modestas. Desde pequenos, ouvimos: "Não pense que você é especial ou que é melhor do que os outros.” Diferentemente da cultura americana, a cultura dinamarquesa não prioriza ser excepcional. Em vez disso, ela promove uma mentalidade de que é melhor ser igual a todos.

Isso claramente não promove uma cultura de empreendedorismo. Começar uma empresa do zero é difícil para caramba. Na Dinamarca, não há incentivo para trabalhar tanto e nenhuma recompensa por fazer algo diferente, além de nenhum sistema para oferecer suporte a essa rota alternativa. A Dinamarca simplesmente não tem as infraestruturas necessárias para oferecer suporte a uma startup em desenvolvimento. Não há o mesmo tipo de talento, nem em volume, nem em experiência. Não há o mesmo acesso ao capital. (Não há acesso a capital de risco real.)

Sabíamos que não conseguiríamos desenvolver a Zendesk até o ponto necessário se continuássemos em Copenhague. À medida que trabalhávamos longas horas naquele apartamento e víamos o produto fazer sucesso com os clientes, queríamos mais para nós mesmos e nossa pequena startup. Em algum momento, contraímos a febre do sonho americano e o vírus da TechCrunch.

Decidimos nos mudar para os Estados Unidos para termos oportunidades melhores. Começamos em Boston, onde estavam os nossos investidores, a Charles River Ventures. Encontramos pessoas que nos ajudaram a criar essa empresa e que ainda estão conosco, mas sabíamos que logo iríamos para São Francisco, onde estavam nossos outros investidores e onde poderíamos realmente aumentar a empresa.

Nas viagens para a Costa Oeste, vi como ela era diferente. E sim, isso abrangia o escritório, equipado e pronto para a mudança, o talento incrível e o clima maravilhoso. No entanto, havia algo a mais, algo difícil de quantificar. Algo mais intangível. Era um sentimento. Um sentimento verdadeiro de pertencimento.

As pessoas da costa oeste estavam dispostas a arriscar e a aceitar começar tudo de novo. Há muito mais mobilidade do que em qualquer outro lugar do mundo e menos nostalgia quanto ao local onde você está e o que tem. Às vezes, a disposição para largar tudo e começar de novo é quase brutal. Mas é assim que as coisas grandes e excelentes são criadas. Saia da sua zona de conforto. Vire a página. Reestruture. Recomece.

Pense no privilégio que é descobrir algo no qual você é bom e viver disso, morando em um lugar criado para pessoas como você, onde todo o ecossistema foi criado para pessoas como você, um lugar onde você e sua equipe são o centro do universo.

Não demorou para que São Francisco se tornasse meu mundinho. Sua energia combina com nossas ambições revolucionárias e sua excentricidade típica normalmente se alinha com a nossa. Além disso, a cidade é um local lindo para se viver. E, talvez meu sotaque e meu encantamento ainda denunciem que eu sou estrangeiro, mas, para mim, é indiscutível: nunca haverá um lugar como esse. Encontrei meu lugar nessa Startupland.

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