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A recuperação econômica, as oportunidades que ela traz e como aproveitá-las

Publicado 15 November 2016
Última modificação 15 November 2016

Nos últimos três anos, a economia brasileira viveu sua mais profunda contração desde 1900. Naturalmente, isto gerou muito pessimismo com relação às expectativas para os próximos anos. No entanto, já há diversos sinais de uma incipiente recuperação econômica que deve surpreender a quase todos pela sua intensidade ao longo dos próximos anos.

A confiança de empresários e consumidores cresce há meses, a balança comercial deve ter o maior superávit da história neste ano e a inflação de setembro e outubro foi a mais baixa para o bimestre em quase 20 anos. A queda da inflação, por sua vez, permitiu que o Banco Central iniciasse um movimento de queda de juros que deve continuar em 2017 e 2018, trazendo novamente a taxa Selic para patamares de um dígito, o que impulsionará o crédito e por consequência o consumo e os investimentos, como aconteceu no período entre 2004 e 2008. No meu livro recém-publicado Depois da Tempestade detalho os fatores que causaram a crise econômica recente e como, assim que o Brasil sanear as contas públicas, ele terminará o ciclo de decepções econômicas recentes e dará início a um ciclo de surpresas econômicas favoráveis.

Fundamentalmente, para que isto efetivamente aconteça, o governo precisa colocar as contas públicas em ordem cortando seus gastos. Isto, por sua vez, exige a aprovação da PEC do teto dos gastos públicos e da Reforma da Previdência. Apesar de incertas, tais aprovações são prováveis dada a ampla folga com que foram aprovados o impeachment na Câmara dos Deputados e no Senado e a própria PEC do teto dos gastos públicos na Câmara dos Deputados.

Outro risco que terá de ser monitorado é o de uma eventual crise externa causada, por exemplo, por medidas atabalhoadas do recém-eleito presidente dos EUA, Donald Trump, o estouro da bolha imobiliária chinesa ou uma crise política na Europa com o fortalecimento de movimentos ultranacionalistas e o enfraquecimento crescente da União Europeia.

Caso uma crise global se materialize, a recuperação econômica brasileira será postergada. Ela diminuiria a disponibilidade de capitais para o país, causando uma alta significativa do dólar por aqui, o que encareceria produtos estrangeiros e reverteria a queda da inflação, forçando o Banco Central a postergar o movimento de redução das taxas de juros, que é um dos gatilhos fundamentais para que um novo ciclo virtuoso se estabeleça na economia brasileira.

Na ausência de um forte choque externo, a recuperação econômica brasileira deve se consolidar ao longo de 2017 e se fortalecer nos anos seguintes. Como as empresas devem se preparar para este cenário?
Estando preparadas para responderem com agilidade à medida que a recuperação se fortalecer. Quem está pronto e concentrado no momento da largada e consegue largar na frente sempre leva uma grande vantagem.

Na prática, as empresas precisam treinar e qualificar suas equipes, criar um ambiente que estimule inovações, estabelecer ecossistemas em que seus parceiros alavanquem o crescimento da própria empresa da mesma forma que o crescimento da empresa alavanque o crescimento de seus parceiros e aperfeiçoar processos, produtos, serviços e atendimentos. A tecnologia tem um papel essencial para que tudo isso aconteça. Este será o tema de um próximo artigo.
Ricardo Amorim, autor do bestseller Depois da Tempestade, apresentador do Manhattan Connection da Globonews, único brasileiro entre os melhores palestrantes mundiais do Speakers Corner e o economista mais influente do Brasil segundo a revista Forbes.