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Compliance: o que é, tipos, benefícios e como implementar

Por Douglas da Silva, Web Content & SEO Associate, LATAM

Publicado 31 Agosto 2020
Última atualização em 5 setembro 2021

Em uma busca simples sobre o que é compliance no Google, somos direcionados à melhor explicação possível para o termo: o tradutor. Compliance, em português, significa conformidade. Essa definição já ajuda a compreender muito sobre a essência do termo.

Trata-se de um conjunto de normas que auxiliam na regulação das organizações. Dessa forma, garante-se que todos os setores ajam de acordo com os princípios e valores da empresa.

Comumente associado à leis anticorrupção e sistemas de auditoria de processos, o termo soa estranho para muitas empresas, que não veem uma conexão real entre seu negócio e a aplicação do compliance. 

O objetivo deste artigo é provar exatamente o oposto: todos os negócios têm conexão com o compliance. A sua adoção é valiosa para guiar processos e comportamentos em qualquer tipo de companhia, especialmente naquelas que possuem um viés comercial.

Além disso, pode impactar de maneira positiva nos resultados. De acordo com a Deloitte, a contribuição do compliance no resultado financeiro é admitida pela grande maioria das organizações: 84% reconhecem essa correlação.

Despertamos sua curiosidade sobre o assunto e seus impactos nas empresas? Então, continue a leitura para entender, de uma vez por todas, o que é compliance, e como ele pode ajudar a orientar o seu negócio. 

O que é compliance? 

O conceito de compliance empresarial abarca políticas internas e externas, boas práticas e regras da organização voltadas aos colaboradores, parceiros e fornecedores. A ideia é que todos os envolvidos no processo corporativo realizem suas tarefas conforme a legislação e as orientações da companhia. 

Apesar de ainda não ter alcançado sua máxima popularidade, a adoção do compliance vem crescendo ao longo dos anos. 

Segundo o relatório Integridade Corporativa no Brasil, da Deloitte, houve um crescimento de 22% na adoção de princípios de compliance entre empresas brasileiras (de 24% a 46%) entre 2012 e 2017.

A expectativa para o fim de 2020 é de alcançar a marca dos 65%, em decorrência do vigor de leis que impactam diretamente nas rotinas corporativas, como a Lei Geral de Proteção de Dados e a Lei Anticorrupção. 

A pesquisa também mostra quais são os principais aspectos levados em consideração por organizações que decidem adotar o compliance. A lista abaixo vai te ajudar a entender de que maneira o compliance se insere na sua organização, independentemente do segmento que ela for:

  • código de ética e conduta;
  • comprometimento concreto da alta administração;
  • avaliação de riscos na cadeia de fornecedores; 
  • profissional designado para garantir o cumprimento das políticas de governança e do código de ética;
  • divulgação interna de informações sobre o cumprimento das políticas e procedimentos de governança;
  • engajamento com entidades representativas;
  • auditoria externa;
  • controles financeiros;
  • sistema interno de controle contábil para evitar adulteração das contas;
  • política escrita de divulgação de informações relevantes disponível para todas as partes interessadas.

Qual é o papel do compliance?

Não é segredo que as empresas estão continuamente expostas a inúmeros riscos, certo? O que ainda não é muito claro e compreendido é que o descumprimento de legislações fazem parte desse grupo de riscos.

E o papel do compliance é minimizar esses riscos por meio de políticas administrativas voltadas à transparência, à ética e à regularidade legal.

Dessa forma, constrói-se um ambiente organizacional mais íntegro, evitando que ocorram penalizações e escândalos por conta de corrupção, do descumprimento de leis trabalhistas e do desrespeito de questões ambientais, por exemplo.

Portanto, é uma medida preventiva que preserva as organizações de prejuízos financeiros e à imagem. Sobretudo, contribui para um ambiente mais saudável tanto para colaboradores quanto para clientes.

Quais são os tipos de compliance?

Para que seja capaz de guiar e orientar atividades de uma empresa de forma global, o compliance precisa ser aplicado em múltiplas frentes organizacionais. Essas frentes dão origem aos diferentes tipos de compliance, sobre os quais falamos a seguir:

  1. compliance ambiental: refere-se às regras e normas capazes de reduzir ao máximo os riscos e danos do negócio ao meio ambiente;
  2. saúde e segurança organizacional: determina parâmetros capazes de proporcionar um ambiente de trabalho saudável, produtivo e seguro aos colaboradores; 
  3. anticorrupção: táticas e ações que evitam e minimizam qualquer desvio de conduta de seus colaboradores, parceiros e fornecedores; 
  4. responsabilidade social: representa as orientações que guiam o posicionamento da empresa em relação à comunidade em que se insere; 
  5. controle e qualidade de produto e serviço: garante que o serviço ou produto oferecido esteja em conformidade com o comportamento do consumidor e suas necessidades, bem como com os padrões de qualidade da empresa.

Qual é a relação do compliance com a LGPD?

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) é uma legislação que recentemente entrou em vigor para regular e fiscalizar o tratamento de dados realizado pelas organizações.

O seu objetivo é preservar o direito constitucional à liberdade e à privacidade por meio da proteção das informações dos cidadãos.

Para isso, as empresas precisam agir com extrema transparência quanto à coleta e ao tratamento de dados.

Por exemplo, uma das normas estabelece que o tratamento de dados precisa ter uma finalidade e que apenas as informações indispensáveis para esse fim podem ser coletadas. Além disso, todos esses detalhes devem ser apresentados em linguagem clara ao cliente em um termo de consentimento.

Dito isso, a relação do compliance com o LGPD é que as políticas da organização devem ser adaptadas para ficarem de acordo à legislação, bem como garantir que ela está sendo respeitada.

Para saber mais sobre a LGPD, leia este artigo: LGPD comentada: GUIA para entender todos os detalhes da lei.

Quais os benefícios do compliance? 

Falar sobre o que é compliance apenas no aspecto teórico pode dificultar o entendimento de seu potencial benéfico para as empresas. Por isso, a seguir, você confere algumas das vantagens da aplicação da ferramenta na prática empresarial:

  • oportunidade de novos negócios e vantagem competitiva;
  • possibilidade de antecipação de problemas;
  • correção de desvios;
  • colaboradores mais atentos;
  • sustentabilidade do negócio.

Oportunidade de novos negócios e vantagem competitiva

Em geral, empresas que trabalham os princípios do compliance dentro e fora da organização são vistas com bons olhos pelo mercado. Isso porque a prática é um verdadeiro guia para um trabalho ético e pautado na conformidade com as leis. 

Diante disso, a existência de um programa de compliance efetivo passa a ser um dos critérios para selecionar os parceiros de negócios. Sem contar que oferece uma vantagem real sobre a concorrência.

As organizações que já aplicam o compliance têm mais chances de serem escolhidas por outras empresas que também atuam em conformidade com as normas aplicáveis.

Possibilidade de antecipação de problemas

Toda equipe trabalha para evitar desvios e problemas. Quando falamos em um time de atendimento ao cliente, por exemplo, conhecer as demandas do consumidor e trabalhar para solucioná-las antes que virem tickets é um verdadeiro sonho para os agentes. 

Com uma boa política de compliance, é possível transportar esse cenário para a gestão da organização. Durante a implementação de um programa de políticas administrativas, a primeira atividade é a identificação de riscos.

Essa etapa permite preparar soluções e evitar desvios que possam implicar em alguma responsabilização para a empresa e seus colaboradores. 

Correção de desvios

Muito ligado ao benefício anterior, este outro ponto positivo de saber o que é compliance na empresa aponta para a capacidade de corrigir desvios a partir da avaliação e identificação de riscos. 

Organizações com compliance conseguem tratar situações complexas com planos de ação, treinamentos, revisão de políticas, criação de novos procedimentos, reforço da rotina de feedbacks com colaboradores e gestão de stakeholders, por exemplo. 

Colaboradores mais atentos

Ter uma empresa orientada ao compliance impacta diretamente no senso crítico do time de colaboradores. Isso porque o conhecimento das regras faz com que seja mais fácil identificar algo que não ocorre de acordo com elas. 

Quanto mais cedo a equipe conseguir identificar desvios, maiores são as chances de trabalhar e solucionar cada um deles — sejam os problemas relacionados à satisfação do cliente ou à gestão da força de vendas e demais equipes. 

Sustentabilidade do negócio

Por fim, entender o que é compliance passa por compreender sua relevância para a sustentabilidade do negócio. Como “sustentabilidade”, entendemos a aplicação de métodos e processos que podem ser replicados ao longo do tempo com sucesso. 

E sabe qual a melhor forma de garantir que um mesmo processo funcione ao longo do tempo? Isso mesmo, estabelecendo normas e diretrizes — ou adotando uma política de compliance empresarial.

Passo a passo de como implementar o compliance na sua empresa

Além de saber o que é compliance e como ele pode tornar seu negócio mais fluido e sustentável, que tal descobrir também algumas formas de alinhar o seu negócio aos princípios desse conceito? 

Criamos um passo a passo para guiar a implementação do compliance na sua empresa. Confira a seguir:

  • contrate um profissional ou monte uma equipe;
  • faça uma análise de riscos;
  • construa um plano de ação;
  • estruture um código de ética e conduta;
  • abra um canal de denúncias;
  • capacite os colaboradores;
  • acompanhe os resultados.

1. Contrate um profissional ou monte uma equipe

Contratar um profissional ou montar uma equipe de compliance não é necessariamente o primeiro passo. Esta é a nossa recomendação, pois especialistas serão capazes de realizar as próximas etapas de maneira mais assertiva e eficiente.

Sendo assim, caso haja orçamento para contratar um ou mais profissionais da área, não hesite em fazer isso. Contudo, se não for possível, execute o passo a passo como puder, o importante é implementar o compliance.

2. Faça uma análise de riscos

Inicialmente, deve-se analisar os riscos aos quais a organização está exposta. Para isso, é preciso mapear e examinar todos os processos com a ajuda dos colaboradores. O compliance apenas pode ser implementado com um conhecimento completo da empresa e seus riscos.

Aqui, é necessário avaliar uma série de fatores relacionados a legislações, como normas específicas do mercado da companhia, leis trabalhistas (salários, benefícios, etc.), acordos e transações com empresas terceirizadas, entre outros.

Algo que vale a pena destacar é que uma boa análise vai além do mapeamento dos riscos. O ideal é que se compreenda as condições de trabalho que a organização oferece a diferentes departamentos.

3. Construa um plano de ação

Após entender as condições da empresa e mapear os riscos, é hora de construir um plano de ação para implementar o compliance.

Esta etapa é importante para que se determine de forma clara e objetiva quais políticas serão aplicadas na companhia. Além disso, serve para detalhar o passo a passo da aplicação e as metas que se pretende alcançar.

Afinal, para que a implementação de algo seja eficiente é preciso de um planejamento, assim como só é possível entender se houve “sucesso” caso haja objetivos bem delineados.

4. Estruture um código de ética e conduta

O código de ética e conduta tem o objetivo de esclarecer aos colaboradores como eles devem agir diante certas situações. Assim, é possível que o comportamento fique de acordo às legislações e aos valores da empresa.

Portanto, o negócio deve se esforçar para implementar essas diretrizes na cultura organizacional, fazendo com que os comportamentos sejam naturais.

À primeira vista pode parecer algo rígido, que pode limitar a liberdade e autonomia dos funcionários. Contudo, um código de ética e conduta bem elaborado melhora esses fatores, pois os norteia a tomar boas decisões.

Por isso, o ideal é que o documento seja redigido em uma linguagem clara, acessível e objetiva, facilitando a compreensão.

5. Abra um canal de denúncias

O canal de denúncias é um bom mecanismo para empresas de grande porte monitorarem a existência de comportamentos que desrespeitam o código de ética e conduta.

No entanto, deve-se ter cuidado com a implementação, pois pode parecer uma forma de controlar e suprimir os direitos dos colaboradores.

Logo, o canal de denúncias deve ser aberto com total transparência. O seu objetivo precisa ser comunicado a todos de maneira clara. Além disso, o seu modo de uso também deve ser definido e esclarecido.

O intuito é facilitar que organizações muito grandes encontrem riscos de compliance. Mas os colaboradores precisam saber utilizá-lo e ter consciência de que não é algo para causar desconforto, competitividade ou qualquer sentimento do tipo.

6. Capacite os colaboradores

Compartilhar as diretrizes com os colaboradores e capacitá-los para segui-las de maneira adequada é parte essencial da implementação do compliance.

Portanto, assim que as políticas entrarem em vigor, elas devem ser comunicadas e explicadas a toda a empresa. Quando novos colaboradores se juntarem à organização, o mesmo deve ser feito.

Esta é a principal maneira de inserir o compliance na cultura organizacional e torná-lo eficiente.

7. Acompanhe os resultados

Por fim, deve-se haver um acompanhamento das medidas para verificar se estão sendo cumpridas e para compreender quais resultados estão sendo conquistados.

Lembra-se das metas definidas na etapa do plano de ação? Elas serão utilizadas neste momento para avaliar o sucesso do compliance, auxiliando a entender se os riscos realmente foram minimizados.

O acompanhamento é mais uma etapa vital, pois de nada adianta implementar as diretrizes e deixá-las de lado, sem verificar os avanços e a aplicação real. É bem provável que as políticas não sejam cumpridas e se percam caso não haja essa observação.

Como o Zendesk Sell pode ajudar na implementação do compliance?

Se você chegou até aqui, conseguiu entender o quão importante pode ser saber o que é compliance, certo? E se quiser dar o próximo passo para implantar ou otimizar a gestão do recurso na empresa, nós podemos te ajudar. 

O Zendesk Sell é o software de CRM da Zendesk, pensado para integrar rotinas e armazenar dados com assertividade, acessibilidade e segurança. 

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